Do Hype à Realidade: O ROI chegou para Agentic AI
A conversa sobre Inteligência Artificial nas empresas mudou. Já não é mais sobre "se", mas sobre "como". A fase das demos impressionantes e dos pilotos isolados está dando lugar a uma pergunta muito mais pragmática, vinda de quem paga a conta: qual o caminho para escalar o impacto da Agentic AI sem escalar o caos e o custo?
Por muito tempo, a promessa de agentes autônomos que orquestram processos complexos parecia distante. Hoje, a realidade é que o valor já está sendo gerado, e de forma mensurável. A Forethought, por exemplo, anunciou ter ultrapassado $1 bilhão em ROI para seus clientes — incluindo nomes como Airtable, Grammarly e UPS — ao automatizar e otimizar interações de suporte. Não estamos falando de ganhos marginais.
Estamos falando de resultados que movem o ponteiro do negócio.
Isso mostra que a tecnologia saiu do laboratório. Um relatório da McKinsey de 2025 já apontava que 23% das organizações estavam começando a escalar agentes em pelo menos uma área de negócio. Os investimentos acompanham a tendência, com quase metade dos líderes globais planejando aumentar seus orçamentos em pelo menos $2 milhões, segundo a Dynatrace. O foco é claro: o maior retorno esperado está em áreas pragmáticas como ITOps (44%), cibersegurança (27%) e processamento de dados (25%).
Então, qual é o manual que as empresas de sucesso estão seguindo?
Primeiro, elas abandonaram a ideia do "superagente" monolítico. A arquitetura que escala na prática é a de times de agentes. Pense em um orquestrador inteligente que distribui tarefas para agentes menores e especializados. É um sistema que escala por paralelização e coordenação, não pelo tamanho ou complexidade de um único modelo. A robustez nasce da distribuição de responsabilidades, não da concentração de poder.
Segundo, o modelo de sucesso é o de colaboração, não de substituição. O mesmo estudo da Dynatrace revela que os líderes esperam uma colaboração 50/50 entre humanos e IA para TI e suporte, e 60/40 para aplicações de negócio. O papel do humano evolui: definir os objetivos, estabelecer os limites, garantir a governança e, o mais importante, ser o responsável final pela decisão.
A IA estende o julgamento humano, não o substitui.
Terceiro, o pragmatismo vence a busca pela perfeição. Como aponta a Deloitte em suas lições de implementações reais, esperar por dados perfeitos é irrealista. A abordagem que funciona é segmentar e priorizar o que mais importa, guiando o agente para fontes de conhecimento confiáveis e melhorando a qualidade dos dados de forma iterativa. A performance da IA e a qualidade dos dados evoluem juntas.
Isso tudo exige uma nova disciplina de engenharia. Não é à toa que 70% das organizações já utilizam observabilidade na implementação de Agentic AI. É a única forma de ganhar visibilidade em tempo real sobre o comportamento dos agentes, validar a performance e construir a confiança necessária para escalar. A confiança, afinal, não é negociável.
O caminho para escalar a Agentic AI está se tornando mais claro. Ele é menos sobre o hype do último modelo e mais sobre uma abordagem disciplinada, focada em arquitetura, governança e, acima de tudo, em valor de negócio. As empresas que estão tratando essa jornada como uma transformação empresarial, e não como um projeto de tecnologia isolado, são as que já estão colhendo os resultados.
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